sexta-feira, 27 de maio de 2011
Grávida
(Arnaldo Antunes) com Marina Lima
Eu tô grávida
Grávida de um beija-flor
Grávida de terra
De um liquidificador
E vou parir
Um terremoto, uma bomba, uma cor
Uma locomotiva a vapor
Um corredor
Eu tô grávida
Esperando um avião
Cada vez mais grávida
Estou grávida de chão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Dar à luz
Eu tô grávida
De uma nota musical
De um automóvel
De uma árvore de Natal
E vou parir
Uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
Um cartão postal
Eu tô grávida
Esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão
E vou parir
Sobre a cidade
Quando a noite contrair
E quando o sol dilatar
Vou dar a luz
Rave do Sertão
(Flávio Henrique) com Mariana Nunes
Foi numa festa lá em Feira de Santana
No forró da Mãe Joana, na Fazenda do Irará
Foi todo mundo, foi Raimundo, foi Betânia
Foi Fulano, foi Beltrana, todo mundo tava lá
Tinha jagunço, cabra macho, taturana
Pé-de-valsa, pé-de-cana, pé de tudo quanto há
Zé da Zabumba e o cego da sanfona
Chico Preto com sua dona não parava de dançar
É dois pra lá, é dois pra cá
Segura a moça, deixa o xote balançar
É dois pra lá, é dois pra cá
Segura a moça, deixa o xote balançar
E a poeira foi subindo igual foguete
Eu pensei que aquela gente nunca mais fosse parar
Até o padre viu o xote da menina
Encostou sua batina e encoxou até raiar
A nossa rave durou toda a semana
Rasta-pé movido à cana não tem hora pra acabar
O nosso ecstasy advém é da mandioca
Nosso erva é da paçoca e o nosso pó é o guaraná
É dois pra lá, é dois pra cá
Segura a moça, deixa o xote balançar
É dois pra lá, é dois pra cá
Segura a moça, deixa o xote balançar
É chá, é chá
Segura a moça, deixa o xote balançar
É chá, é chá, é chá
Segura a moça, deixa o xote balançar
Campo Branco
(Elomar Figueira Melo) com Elomar
Campo branco minhas penas que pena secou
Todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor
Num tem nda não nóis dois vai penano assim
Campo lindo ai qui tempo ruim
Tu sem chuva e a tristeza em mim
Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
Prá arrancar as pena do meu coração
Dessa terra sêca in ança e aflição
Todo bem é de Deus qui vem
Quem tem bem lôva a Deus seu bem
Quem não tem pede a Deus qui vem
Pela sombra do vale do ri Gavião
Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovão
Minh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter
Meu dia inda vai nascer
E esse tempo da vinda tá perto de vin
Sete casca aruêra cantaram prá mim
Tatarena vai rodá vai botá fulô
Marela de u'a veis só
Prá ela de u'a veis só
Mar e Sol
(Lokua Kanza / Carlos Rennó) com Gal Costa
Um Sol
Eu sou
Para o seu mar, ó meu amor;
Você
O mar é
Para o meu Sol, para eu me pôr;
Me pôr
Em você,
Me espelhar, me espalhar;
Meu Sol
De arrebol
Deitar no leito de seu mar –
E entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.
Um só,
Um nó
De fogo e água, terra e céu,
A sós,
Somos nós,
De corpo e alma, você e eu;
E eu
A descer,
A desnascer, desvanecer;
A ser
Em você
Um Sol a se dissolver –
Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.
Depois,
Nós dois,
Olhos nos olhos, vis-à-vis,
Nos seus
Olhos meus,
Me vejo no que vejo ali;
Ali,
Eu-você,
Olho no olho a se espelhar,
Amor,
Sem temor,
Olho o que eu olho me olhar –
Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Com você morrer, morrer.
Paixão de fogo de paixão
De fogo de paixão
De fogo de paixão,
Em que me afogo de paixão
Me afogo de paixão
Me afogo de paixão
http://www.vagalume.com.br/gal-costa/mar-e-sol.html#ixzz1NYrFVY8A
Da Cor Brasileira
(Joyce / Ana Terra) com Joyce
De quem falo me acha direita
Se casa comigo, se rola e se deita
Me namora quando não devia
E quando eu queria me deixa na mesa
De quem falo me fala macio
E finge que entende o que nem escutou
Me adora e me quer tão somente
Enquanto que mente é o que acreditou
Esse homem que passa na rua
Que encontro na festa e me vira a cabeça
É aquele que me quer só sua
E ao mesmo tempo que eu seja mais uma
De quem falo ele é feio e bonito
Mais velho e menino, meu melhor amigo
É o homem da cor brasileira
a loucura e a besteira que dorme comigo.
A Meu Deus Um Canto Novo
(Elomar Figueira Melo) por Elomar
Bem de longe na grande viagem
Sobrecarregado paro a descansar...
emergi de paragens ciganas pelas mãos de Elmana,
santas como a luz e em silêncio contemplo,
então mais nada a revelar...
Fadigado e farto de clamar às pedras
de ensinar justiça ao mundo pecador
Oh lua nova quem me dera
eu me encontrar com ela
no "pispei" de tudo
na quadra perdida
na manhã da estrada
e começar tudo de nôvo...
Topei in certa altura da jornada
com um qui nem tinha pernas para andar
comoveu-me em grande compaixão
voltano o olhar para os céus
recomendou-me ao Deus
Senhor de todos nós rogando nada me faltar
Resfriando o amor a fé e a caridade
vejo o semelhante entrar em confusão
Oh lua nova quem me dera
eu me encontrar com ela
no "pispei" de tudo
na quadra perdida
na manhã da estrada
e começar tudo de nôvo...
Bôas novas de plena alegria
passaram dois dias da ressurreição
refulgida uma beleza estranha
que emergiu da entranha das plagas azuis
num esplendor de glória
avistaram u'a grande luz
fadigado e farto de clamar às pedras
de propor justiça ao mundo pecador
Vô prossiguino istrada a fora
rumo à istrêla canora
e ao Senhor das Searas
a Jesus eu lôvo
levam os quatro ventos
ao meu Deus um canto nôvo
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Belê
(Affonsinho) com Affonsinho
Luar de belo, de belô, do céu
Papel depressa pra escrever porque
Bele... zabumba, vem meu coração
Balão do fogo só do bem-querer
Bambolê, fiquei feliz por ficar assim
Tão a fim daquela bola que ela deu pra mim
Pirlimpimpim que enfeitiçou
ou me curou da dor
Um novo amor,
vapor do banho de um bom dia alegria
São Jorge, Santo Antônio, Senhor do Bonfim
Éros, Iemanjá, CUpido, qualquer querubim
Aquela morena eu quero sim...
sábado, 21 de maio de 2011
O Silêncio das Estrelas

(Lenine / Dudu Falcão) - com Fátima Guedes
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus que amanhece mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal
Um sinal, uma porta pro infinito irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal, como estrelas que brilham em paz
Outros Sonhos

(Chico Buarque) com Chico Buarque
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se emperiquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia
Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a polícia já não batia
De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias
Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardía
Y por soñar lo imposible, ay, ay
Soñé que tú me querías
Feito Mistério

( Cacaso / Lourenço Baeta ) com Boca Livre e Chico Buarque
Então
Senti que o resumo é de cada um
Que todo rumo deságua em lugar comum
E então eu monto num cavalo que me leva a Teerã
E não me perco jamais
Quando desespero, vejo muito mais
Essa canção me rói feito mistério
Essa tristeza dói
Meu fingimento é sério
Como aéreo é sempre todo o amor
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